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Projetos científicos de estudantes inspiram novas pesquisas na rede estadual de ensino

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Por Ascom/ SEC

A pesquisa científica tem impulsionado a inovação e sustentabilidade na rede estadual da Bahia. Em sintonia com o tema do ano letivo de 2025, “Educação sustentável, inovadora e que cuida das aprendizagens”, os projetos estudantis geram impacto dentro e fora da escola, promovendo um ciclo de aprendizado e colaboração. Em Ipirá, município sede do Núcleo Territorial de Educação da Bacia do Jacuípe (NTE 15), o projeto “Econutrientes: convertendo resíduos alimentares em fertilizantes naturais” não apenas trouxe uma solução sustentável para o aproveitamento de resíduos orgânicos, como também serviu de inspiração para a criação de uma nova iniciativa voltada para a capacitação de produtores locais em práticas sustentáveis.

O projeto Econutrientes, criado pelas estudantes Nathalia Nascimento Santos e Julia Fernandes Dantas, do Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Jacuípe Professor Luiz Carlos Araújo, surgiu da necessidade de reaproveitar resíduos orgânicos da escola e transformá-los em fertilizantes naturais. As estudantes desenvolveram um biofertilizante à base de chorume, Nitrogênio, Fósforo e Potássio (NPK), utilizando folhas de eucalipto para neutralizar odores e potencializar suas propriedades. O resultado é um produto sustentável e multifuncional, com propriedades herbicidas, larvicidas, inseticidas e repelentes naturais, beneficiando tanto agricultores, quanto pessoas que cultivam plantas ornamentais em casa.

Além de reduzir o desperdício e minimizar a dependência de fertilizantes importados, o projeto reforça a importância da educação ambiental e do uso de soluções ecológicas na agricultura. “Nosso projeto não se limita apenas à produção de biofertilizante e adubo orgânico, mas também busca conscientizar sobre a preservação ambiental, as mudanças climáticas e a conservação do solo. Além disso, incentivamos o empreendedorismo no campo, mostrando como essas técnicas podem gerar renda para pequenos produtores em períodos de estiagem. Para isso, realizamos palestras e workshops em comunidades, escolas e assentamentos, em parceria com instituições como ONG Caatinga Verde, Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Associação dos Produtores da Agricultura Familiar”, explica Julia Fernandes Dantas, uma das criadoras do projeto.

O trabalho tem sido amplamente divulgado em eventos científicos e agroecológicos, fortalecendo sua relevância tanto no meio acadêmico, quanto na comunidade rural. Em 2023, foi apresentado na Conferência das Cidades, em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA) – Regional Ipirá; na X Feira de Ciências do CETEP – Bacia do Jacuípe Prof. Luiz Carlos Araújo; e na Feira Agroecológica e da Agricultura Familiar de Ipirá. Desde 2024, participa mensalmente da Jornada de Agroecologia de Ipirá, promovida em parceria com a ONG Caatinga Verde. Além disso, integrou a programação da XI Feira de Ciências do CETEP – Bacia do Jacuípe e dos Seminários Territoriais da Educação Profissional e Tecnológica da Bahia, tanto na Etapa Territorial, quanto na Etapa Estadual, no Encontro Estudantil . Além disso, o projeto tem sido levado às escolas de Ensino Fundamental II da região e de povoados, em parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura de Ipirá e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, aproximando a iniciativa dos alunos do 9º ano e incentivando a conscientização ambiental desde cedo.

O impacto do Econutrientes não parou por aí. A estudante Rayssa Matos da Silva, do Colégio Estadual  de Tempo Integral Professor Arismário Sena Ferreira, viu no projeto uma referência para criar sua própria iniciativa: o projeto “Transformando a produção: capacitação em sustentabilidade para produtores”, que visa a capacitação dos produtores da região de Ipirá por meio de oficinas de Agroecologia, fomentando a sustentabilidade e mitigando os impactos das mudanças climáticas na qualidade de vida dos moradores e na subsistência dos produtores locais.

A nova pesquisa levou Rayssa a ser selecionada para ser uma das cinco representantes da Bahia no 6° Parlamento Juvenil do Mercosul (PJM). “Conheci o projeto durante uma visita à Feira de Ciências do CETEP. Fiquei interessada nas iniciativas sustentáveis e na forma como os produtos descartados são reaproveitados de maneira útil. Isso me chamou muito a atenção e serviu de inspiração para a criação do meu próprio projeto, alinhado ao tema do PJM, que destaca a importância da disseminação do conhecimento e da ampliação de iniciativas sustentáveis. A minha participação no PJM está sendo bem desafiadora, porém gratificante. Poder levar minha cidade e representá-la em um patamar tão grande quanto este está sendo incrível”, conta Rayssa.

Esse efeito multiplicador da pesquisa científica na rede estadual de ensino demonstra como as iniciativas desenvolvidas na escola não se limitam a experimentos em laboratório ou apresentações em feiras científicas. Elas abrem portas, incentivam novos talentos e fortalecem o compromisso com a sustentabilidade e a inovação. Para Nathalia Nascimento Santos, saber que seu projeto inspirou outra pesquisa é motivo de orgulho. “É muito positivo, ser essa referência para outras pessoas, afinal todo conhecimento produzido deve ser multiplicado, e estamos sempre abertos ao diálogo e às parcerias, para que, de fato, possamos motivar e estimular a criação de outros projetos como o nosso. Temos uma nova turma de Agroecologia se formando, graças ao nosso trabalho de busca ativa nos povoados, e estamos dando todo apoio para que elaborem grandes projetos no futuro, e que o nosso sempre sirva de exemplo e inspiração”.

Foto: Jeferson Lacerda

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Jornal Digital Jornal Digital – Edição 746