Casos da doença têm chamado atenção de especialistas, especialmente em meio ao uso crescente de fármacos como o Mounjaro
POR YASMIM MORAIS – ASCOM/AGÊNCIA COMUNICALE (contato@comunicale.com.br)
A Pancreatite, inflamação do Pâncreas que pode variar de quadros leves a graves, voltou ao centro das discussões médicas diante do aumento do uso de medicamentos para emagrecimento rápido. Especialistas alertam que tanto a perda acelerada de peso quanto o uso inadequado dessas substâncias podem elevar o risco para o desenvolvimento da doença.
De acordo com o Nutrólogo Dr. Joaquim Menezes, sócio do Instituto Evollution de Alphaville, o emagrecimento rápido provoca alterações metabólicas importantes, especialmente no sistema biliar. “Quando a perda de peso ocorre de forma abrupta, há maior liberação de Colesterol pela Bile, o que favorece a formação de cálculos biliares, uma das principais causas de Pancreatite Aguda”, explica.
Esse mecanismo é bem documentado na literatura médica. Estudos apontam que dietas muito restritivas ou perda de peso acelerada aumentam a incidência de Colelitíase (pedras na Vesícula), condição diretamente associada à inflamação do Pâncreas.
Nos últimos anos, esse cenário tem se intensificado com a popularização de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e GIP, como a Tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Embora eficazes no controle glicêmico e na redução de peso, esses fármacos exigem acompanhamento médico atento e especializado.
Dados recentes de farmacovigilância reforçam o alerta. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) destacou que notificações de Pancreatite associadas ao uso dessas medicações vêm aumentando no Brasil e no exterior, incluindo casos graves e até fatais.
No Reino Unido, por exemplo, foram registradas mais de mil notificações relacionadas à classe desde 2007, com desfechos graves em parte dos casos. Além disso, a agência reguladora britânica (MHRA), reconheceu a Pancreatite Aguda como um efeito adverso raro, porém possível, dessas medicações.
Outro fator relevante é que a própria perda rápida de peso induzida por esses medicamentos pode contribuir indiretamente para o risco. “Não é apenas o remédio em si, mas o contexto metabólico que ele gera. Quando o emagrecimento é muito acelerado e sem acompanhamento adequado, o organismo pode responder com complicações, incluindo Pancreatite”, acrescenta o Dr. Joaquim.
Os sintomas da Pancreatite incluem dor abdominal intensa — muitas vezes irradiando para as costas —, náuseas, vômitos e distensão abdominal. Em casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente e demandar internação hospitalar.
Diante desse cenário, especialistas reforçam que o uso de medicamentos para emagrecimento deve ser sempre individualizado e acompanhado por profissionais de saúde. “O tratamento da obesidade não deve ser baseado apenas na velocidade de perda de peso, mas na segurança e na sustentabilidade dos resultados”, conclui o nutrólogo.
A orientação é clara: emagrecer é importante, mas o caminho até esse objetivo precisa respeitar os limites do organismo para evitar complicações que podem ser potencialmente graves.
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